terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Melancias nasceram na rua!
Dia desses, na Rua das Magnólias, minha rua das Magnólias, a cratera da esquina de casa deu flor e depois frutos. Um pé de melancia nasceu no buraco e as frutas cresceram e foram levadas por anônimos passantes. Talvez os mesmos que teimam em jogar lixo tanto no buraco quanto na galeria de águas pluviais do qual ele – o buraco – surgiu.
Cidadã que sou, venho tentando o conserto desse buraco que há meses só cresce e vai ficando mais fundo. Dá medo, principalmente de, num dia de chuva, um carro cair ali e o motorista não conseguir retirar. Também tenho medo de que um pedestre distraído se machuque. E mais medo ainda de que as crianças, indo buscar uma bola que saltou para a rua, caia ali e... ai ai ai, nem quero pensar!
Das autoridades competentes tive apenas promessas. A última, de que o conserto viria junto com o plano de revitalização do bairro, a começar pela galeria que nasce mais acima, próximo de um prédio, e etc. e tal. Conversa pra boi dormir. Mas nem elas, as autoridades competentes, nem nós de casa, os mais interessados em ter o problema resolvido, e nem mais ninguém, imaginaria a cena inusitada que aquele buraco abusado nos ofereceu alguns dias depois da última promessa.
Enquanto isso, o pé de jambo que plantamos no jardim com todo o cuidado – rega, adubo orgânico, amor e planos de um dia ver Pedro & Clarisse encostados em seu tronco e debaixo de sua sombra lendo um livro – esse não vingou. Não passa de um galho seco e triste no meio da grama verde.
Ter melancias nascendo no meio do asfalto é mais do que inusitado. È algo entre o horror e a mais pura beleza. A imagem me fez lembrar de um poema do Drummond, A Flor e a Náusea, que fala de uma flor que nasceu na rua e o poeta diz: “As coisas. Que tristes são as coisas consideradas sem ênfase”.
Às melancias que nasceram do asfalto da minha Rua das Magnólias não faltaram ênfase e a boca aberta de cada um de nós, impressionados! Melancias nasceram na rua! Mais do que qualquer comentário, deixo o poema, que diz mais do que minhas palavras. E a imagem única da primeira melancia. Um dia após o registro, foi roubada e quem sabe comida por quem a levou. Imagino que fosse imprópria para consumo, mas quem há de dizer isso a quem tem fome e encontra um pé de melancia no meio do asfalto?
A FLOR E A NÁUSEA
Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjoo?
Posso, sem armas, revoltar-me?
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.
Uma flor nasceu na rua!
Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
E soletram o mundo, sabendo que o perdem.
Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
A memória não basta
Tavalá tavali zanzando na internet, fuçando facebook, checando emails, quando recebo uma mensagem do blog beatrice encaminhando link de um site americano com textos de Allen Morrison e fotos contando a história dos bondes de São Luís, do final do século 19 até os anos 50, 60. Trinta fotos, coloridas e em preto e branco, com detalhes das linhas e das ruas por onde circulavam. Meus olhos vão redescobrindo a cidade que vi na infância. Na foto 17: pah! O clique mostra um bonde descendo a rua da Paz, perto da igreja de São João, em frente à casa onde morei durante 23 anos. Não tem como não ser. Oh minha musa mnemosine*, não me traias agora! Ei, tu, que me lês, não deixe de olhar a foto comigo.
Atrás do bonde, a morada inteira de dr. Genésio Rego, e ao lado, um fiapo de outra, três centímetros de foto apenas, a parede é marrom. Mas como, se a casa de que lembro tinha pastilhas pequenas, de cor amarela, branca e lilás? Vejo que a foto é de 1960, eu tinha um ano de idade. Tenho certeza de que é a casa, pelas curvas do telhado e por aquela espécie de cone de cimento no alto. Ei, tu, vê de novo, nunca mais vi aquilo em casa nenhuma. Só no meu segundo livro de poemas, No Instante da Cidade, quando João Ewerton, ilustrador e amigo, desenhou a morada de frente, única imagem, além dessa que vejo agora. Aliás, que quase vejo, porque o fotógrafo clicou um segundo depois que o bonde passou por ela, levando 29 pessoas rua da Paz abaixo, rumo da praça João Lisboa.
Passo mensagem pra meus irmãos Goretti, Tereza, Carlos e Amélia. Quero ter certeza de que é a casa da rua da paz, 350, telefone 1845. Teca responde: ‘tem tudo pra ser’, depois de procurar em vão o nome da rua na placa. ‘Já se chamava Cel Colares Moreira?’, ela me pergunta. Gó é mais precisa: ‘É nossa casa, sim, tinha parede marrom antes da reforma, eu me lembro’. A certeza (como, se eu já sabia?) me atira outro pah no peito.
Oh musa Mnemosine, não me traias! Naquela hora da foto, que horas seriam? A sombra no chão (talvez reflexo da luz do sol por detrás da Faculdade de Farmácia, que ficava X com a nossa casa) revela que é impossível ser meio-dia, por exemplo. Parece mais um sol de quase final de tarde, 4, 5 horas. Mas como, com aquele imenso céu azul em cima de tudo? Seriam 9 horas? Impossível, o sol nascia do outro lado. Quem estava ali? O que fazíamos naquela hora? Com um ano de idade, eu dormia na rede? Fátima tinha 8 anos; Antonio José, 6; Goretti, 5: Amélia, 4; Carlos, 2, e Tereza só nasceria dois anos depois, em setembro de 1962. É quase certo que todos estavam em casa, fora papai, no trabalho.
Mnemosine, me conduza pela casa... Vem comigo, leitor amigo! Rima e afeto. Tome como referência a casa vizinha: uma porta principal com duas janelas de cada lado. A nossa também é uma morada inteira. – Pode entrar! Abro a porta, um pequeno corredor nos leva à sala principal. À direita e esquerda, dois quartos grandes. À direita, o quarto dos meninos, contíguo ao de mamãe e papai; à esquerda, o de vovô, que morava no Rio, e a sala de piano com duas grandes estantes e uma escrivaninha. Depois da sala, um corredor que vai dar na cozinha, sala de jantar e banheiros. Mas antes, à direita desse corredor, o quarto das meninas e logo depois o das empregadas. À esquerda, um quintal com duas caramboleiras, abacateiro, galinheiro, tanque e um pequeno banheiro. Ali morei de 1959 a 1983, quando nos mudamos para a casa do Olho d’Água, antigo sítio da infância. Volto à foto e fico querendo esticá-la pra poder ver a casa inteira. Desculpe, my sweet mnemosine, quero mais que a memória.
*Mnemosine – a deusa grega da memória
Por CB
Atrás do bonde, a morada inteira de dr. Genésio Rego, e ao lado, um fiapo de outra, três centímetros de foto apenas, a parede é marrom. Mas como, se a casa de que lembro tinha pastilhas pequenas, de cor amarela, branca e lilás? Vejo que a foto é de 1960, eu tinha um ano de idade. Tenho certeza de que é a casa, pelas curvas do telhado e por aquela espécie de cone de cimento no alto. Ei, tu, vê de novo, nunca mais vi aquilo em casa nenhuma. Só no meu segundo livro de poemas, No Instante da Cidade, quando João Ewerton, ilustrador e amigo, desenhou a morada de frente, única imagem, além dessa que vejo agora. Aliás, que quase vejo, porque o fotógrafo clicou um segundo depois que o bonde passou por ela, levando 29 pessoas rua da Paz abaixo, rumo da praça João Lisboa.
Passo mensagem pra meus irmãos Goretti, Tereza, Carlos e Amélia. Quero ter certeza de que é a casa da rua da paz, 350, telefone 1845. Teca responde: ‘tem tudo pra ser’, depois de procurar em vão o nome da rua na placa. ‘Já se chamava Cel Colares Moreira?’, ela me pergunta. Gó é mais precisa: ‘É nossa casa, sim, tinha parede marrom antes da reforma, eu me lembro’. A certeza (como, se eu já sabia?) me atira outro pah no peito.
Oh musa Mnemosine, não me traias! Naquela hora da foto, que horas seriam? A sombra no chão (talvez reflexo da luz do sol por detrás da Faculdade de Farmácia, que ficava X com a nossa casa) revela que é impossível ser meio-dia, por exemplo. Parece mais um sol de quase final de tarde, 4, 5 horas. Mas como, com aquele imenso céu azul em cima de tudo? Seriam 9 horas? Impossível, o sol nascia do outro lado. Quem estava ali? O que fazíamos naquela hora? Com um ano de idade, eu dormia na rede? Fátima tinha 8 anos; Antonio José, 6; Goretti, 5: Amélia, 4; Carlos, 2, e Tereza só nasceria dois anos depois, em setembro de 1962. É quase certo que todos estavam em casa, fora papai, no trabalho.
Mnemosine, me conduza pela casa... Vem comigo, leitor amigo! Rima e afeto. Tome como referência a casa vizinha: uma porta principal com duas janelas de cada lado. A nossa também é uma morada inteira. – Pode entrar! Abro a porta, um pequeno corredor nos leva à sala principal. À direita e esquerda, dois quartos grandes. À direita, o quarto dos meninos, contíguo ao de mamãe e papai; à esquerda, o de vovô, que morava no Rio, e a sala de piano com duas grandes estantes e uma escrivaninha. Depois da sala, um corredor que vai dar na cozinha, sala de jantar e banheiros. Mas antes, à direita desse corredor, o quarto das meninas e logo depois o das empregadas. À esquerda, um quintal com duas caramboleiras, abacateiro, galinheiro, tanque e um pequeno banheiro. Ali morei de 1959 a 1983, quando nos mudamos para a casa do Olho d’Água, antigo sítio da infância. Volto à foto e fico querendo esticá-la pra poder ver a casa inteira. Desculpe, my sweet mnemosine, quero mais que a memória.
*Mnemosine – a deusa grega da memória
Por CB
sábado, 22 de outubro de 2011
diário de outubro
é sábado, fim de outubro e faz sol. na janela da ilha o dia é azul depois de uma surpresa de grande chuva fora de hora, com dia branco no meio da semana, água lavando a cidade e levando o calor pra longe. ruas virando rio, mar sem onda, céu de nuvens.
agora já passou. hoje pode até dar praia ou só preguiça mesmo. as roupas vão secar e o vento vai varrer folhas secas da mangueira por toda a varanda como vem fazendo desde setembro. enquanto isso, nossas meninas jabutis passeiam sob a sombra da ateira carregadinha. sim, frutas do conde amadurecendo e as rolinhas alvoroçadas para bicarem antes de nós. tem outro pé de ata na parte da frente do jardim, carregado de filhinhos pra jesus criar também.
pedro na aula de astronomia, estudando astros e sóis. clarisse inventando valsa pra barbie bailarina dançar ou brincando com miniaturas dos personagens da turma da mônica que integram novo álbum de figurinhas e virou a nova febre infantil, os gogo's, classificados pelo fabricante como 'as criaturinhas mais piradas do universo'. confissão de mãe: caí de amores pelo chico bento gogo.
outra febre é o ressuscitado bay blade, nada mais que um pião metido a besta, que ganharam do vovô - os dois últimos da prateleira das lojas americanas. movido por uma espécie de fio (tira de plástico), tomou o lugar da pelada com tampinha de água mineral nos intervalos de aula da escola. na hora da saída meninos e meninas se amontoam em volta de uma pequena arena disputando campeonatos sem fim. e já não há quem encontre um em nenhuma loja de brinquedos da cidade.
aninha passando roupas exala cheirinho de lavanda pelo ar. eu aqui, registrando histórias dos dias de nós, e celso lá longe, manda notícias por telefone. e agora é hora da minha missão chalenger no espaço, pra buscar pedro na aula. vai ver que conseguiu viajar pela via láctea a bordo do bay blade, que antes de ser pião, bem que parece um disco voador!
p.s.: mas não há febre, onda ou moda que faça dom pedrito abandonar sua paixão maior. dia 16 completou 9 anos e para todo mundo que pedia sugestão de presente, mandava dizer que queria uma bola de futebol. resultado: ganhou quatro! e faz questão de brincar com todas, para desespero da mamãe aqui, tentando poupar vasos de flores e plantas que de vez em quando tombam sob o peso de seus gols.
* na foto, pedro & clarisse brincam no mar de tutoia.
é sábado, fim de outubro e faz sol. na janela da ilha o dia é azul depois de uma surpresa de grande chuva fora de hora, com dia branco no meio da semana, água lavando a cidade e levando o calor pra longe. ruas virando rio, mar sem onda, céu de nuvens.
agora já passou. hoje pode até dar praia ou só preguiça mesmo. as roupas vão secar e o vento vai varrer folhas secas da mangueira por toda a varanda como vem fazendo desde setembro. enquanto isso, nossas meninas jabutis passeiam sob a sombra da ateira carregadinha. sim, frutas do conde amadurecendo e as rolinhas alvoroçadas para bicarem antes de nós. tem outro pé de ata na parte da frente do jardim, carregado de filhinhos pra jesus criar também.
pedro na aula de astronomia, estudando astros e sóis. clarisse inventando valsa pra barbie bailarina dançar ou brincando com miniaturas dos personagens da turma da mônica que integram novo álbum de figurinhas e virou a nova febre infantil, os gogo's, classificados pelo fabricante como 'as criaturinhas mais piradas do universo'. confissão de mãe: caí de amores pelo chico bento gogo.
outra febre é o ressuscitado bay blade, nada mais que um pião metido a besta, que ganharam do vovô - os dois últimos da prateleira das lojas americanas. movido por uma espécie de fio (tira de plástico), tomou o lugar da pelada com tampinha de água mineral nos intervalos de aula da escola. na hora da saída meninos e meninas se amontoam em volta de uma pequena arena disputando campeonatos sem fim. e já não há quem encontre um em nenhuma loja de brinquedos da cidade.
aninha passando roupas exala cheirinho de lavanda pelo ar. eu aqui, registrando histórias dos dias de nós, e celso lá longe, manda notícias por telefone. e agora é hora da minha missão chalenger no espaço, pra buscar pedro na aula. vai ver que conseguiu viajar pela via láctea a bordo do bay blade, que antes de ser pião, bem que parece um disco voador!
p.s.: mas não há febre, onda ou moda que faça dom pedrito abandonar sua paixão maior. dia 16 completou 9 anos e para todo mundo que pedia sugestão de presente, mandava dizer que queria uma bola de futebol. resultado: ganhou quatro! e faz questão de brincar com todas, para desespero da mamãe aqui, tentando poupar vasos de flores e plantas que de vez em quando tombam sob o peso de seus gols.
* na foto, pedro & clarisse brincam no mar de tutoia.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Amigas para sempre!
Essa imagem tem gosto de mar e cheiro de dias azuis. Encontro de brindes e alegrias mil, sem compromissos, recados, obrigações, agenda, retorno, pressa ... Uma janela no meio da vida em que conseguimos sair do protocolo um tantinho e, como peraltice de estudante, gazeamos aula juntas.
Brindamos a vida, comemos lagosta, batemos perna pelas ruas [com direito a comprinhas, é lógico!], andamos na areia, fizemos massagem relaxante, visitamos expoições de arte, fomos ao cinema e à feirinha de artesanato, conversamos e rimos até o sono chegar, acordamos sem hora marcada...
Fomos mais meninas e menos mães-mulheres-profissionais. Fomos livres feito pinto no lixo. Mãe, irmãs e filhas. Abrimos a janela da ilha e nos demos um tempinho só pra nós.
Tudo em quatro vezes sem juros! Ao mesmo tempo: ou seja: onde uma estava, lá estavam as outras três. E vice-versa.
Ano que vem vai ter bis, ah se vai!
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Saudade da minha janela
Nossa! Quanto tempo! Eu bem que avisei (avisei mais a mim, na verdade!) sobre a minha falta de hábito e jogo de cintura com blogs e coisas deste mundinho virtual. Passei tanto tempo sem voltar aqui que precisei redefinir senha (coisa burocrática!) para poder entrar e poder postar novamente. Essas palavrinhas (palavrões!) que vamos incorporando...
Pois, é, deu saudade! Se tenho o que dizer? Nem sei... São tantas notícias atrasadas... Olhando os posts anteriores, vi a foto da nossa mangueira. Continua linda, mas nunca mais vieram as mangas. Foram só algumas e pronto, a árvore parou e não quis mais. Charme? Se ela tem pena de nos dar seus frutos, pelo menos o mesmo não acontece com sua sombra. É ela quem nos livra do calor imenso dos nossos dias azuis, deixando o vento varrer as folhas de um outono que por aqui nunca chega.
As crianças vão crescendo e é cada vez mais difícil domá-las como queríamos. E ao mesmo tempo nas as queremos domadas. Só queremos um pouco de disciplina naquelas coisinhas básicas do tipo acordar - escovar os dentes - tomar café - estudar - não deixar brinquedos e todas as coisas espalhadas-arrumar a mochila - tomar banho na hora certa - etc e tal.
Já é setembro, primavera, o fim do ano tá logo ali, outubro e Pedro já terá 9 anos... a vida correndo e eu já tendo que correr daqui pra dar um pulo no supermercado antes de voltar ao trabalho...
Mas no meio disso, a ponte, o barco de vela azul, imaginação de estar ali e não no carro, vontade de mar, de dançar e, no fim das contas, vontade mesmo é de que o dia renda e eu consiga fazer tudo.
Tentarei voltar pra contar histórias com mais calma,
enquanto isso a tarde arde,
vou-me,
beijos,
Pois, é, deu saudade! Se tenho o que dizer? Nem sei... São tantas notícias atrasadas... Olhando os posts anteriores, vi a foto da nossa mangueira. Continua linda, mas nunca mais vieram as mangas. Foram só algumas e pronto, a árvore parou e não quis mais. Charme? Se ela tem pena de nos dar seus frutos, pelo menos o mesmo não acontece com sua sombra. É ela quem nos livra do calor imenso dos nossos dias azuis, deixando o vento varrer as folhas de um outono que por aqui nunca chega.
As crianças vão crescendo e é cada vez mais difícil domá-las como queríamos. E ao mesmo tempo nas as queremos domadas. Só queremos um pouco de disciplina naquelas coisinhas básicas do tipo acordar - escovar os dentes - tomar café - estudar - não deixar brinquedos e todas as coisas espalhadas-arrumar a mochila - tomar banho na hora certa - etc e tal.
Já é setembro, primavera, o fim do ano tá logo ali, outubro e Pedro já terá 9 anos... a vida correndo e eu já tendo que correr daqui pra dar um pulo no supermercado antes de voltar ao trabalho...
Mas no meio disso, a ponte, o barco de vela azul, imaginação de estar ali e não no carro, vontade de mar, de dançar e, no fim das contas, vontade mesmo é de que o dia renda e eu consiga fazer tudo.
Tentarei voltar pra contar histórias com mais calma,
enquanto isso a tarde arde,
vou-me,
beijos,
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
janela da ilha
fui procurar no Google o link para este meu blog (que blogueira eu sou, vejam só!) e encontrei este quadro batizado de janela da ilha. o autor é o jorge eduardo, que
utilizou óleo sobre madeira (61x112). a obra é de 1992, tempo eu que eu nem pensava
em sair da ilha.
agora cá estou, da minha janela, olhando a janela do eduardo.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
A pau a pedra a fogo a pique
Revisitando Leminski depois de muitos anos, no livro 'A pau a pedra a fogo a pique: dez estudos sobre a obra de Paulo Leminiski' (org. Marcelo Sandmann), achei um poema lindo, que não lembro de ter lido:
Os livros sabem de cor
milhares de poemas.
Que memória!
Lembrar, assim, vale a pena.
Vale a pena o desperdício,
Ulisses voltou de Tróia,
assim como Dante disse,
o céu não vale uma história.
Um dia, o diabo veio
seduzir um doutor Fausto.
Byron era verdadeiro.
Fernando, pessoa, era falso.
Mallarmé era tão pálido,
mais parecia uma página.
Rimabaud se mandou pra África,
Remingway de miragens.
Os livros sabem de tudo.
Já sabem deste dilema.
Só não sabem que, no fundo,
ler não passa de uma lenda.
(o poema se chama 'm, de memória', do livro 'Distraídos venceremos')
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
volta às aulas
a semana começou agitada em razão da volta às aulas. clarisse feliz da vida porque agora está novamente com pedro na mesma escola. e nós comemorando o fato de os dois estarem novamente no mesmo horário e à tarde.
a experiência do ano passado - de ter cada um em um turno porque não teve outro jeito - não deve se repetir. ficávamos reféns de idas e vindas à escola durante o dia todo. agora não temos mais de madrugar e a tarde é toda livre para as outras coisas da vida. não é à toa que só agora tenho conseguido voltar a dar as caras nesta janela...
adorei encapar os livros novos, sentir o cheirinho deles e curtir com as crianças toda a novidade desse recomeçar. por outro lado, não canso de lamentar o quanto as férias deles são curtas. nossas férias de fim de ano duravam três meses imensos e só voltávamos ao colégio depois do carnaval. eles, no entanto, parecem nem se importar, pois já estavam eufóricos para começar tudo de novo.
lição de casa: hoje pedro trouxe um texto da clarice lispector para interpretar. o narrador é o cão ulisses, fiel companheiro da escritora, que se dizia muito bonito, sabido e com olhos dourados, parecidos com olhos de gente. já clarisse (a minha), anda encantada com os primeiros treinos para escrever com letra cursiva.
pra mim, o espetáculo do crescimento nada tem a ver com índices econômicos. é muito maior e mais bonito. é acompanhar pedro & clarisse dia a dia, mês a mês, ano a ano, na platéia, na coxia, no palco e na vida. aplaudindo, torcendo, gritando bravo! bravo! bravíssimo!!!
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
quase um ano em um post
... e tanta coisa aconteceu, tantas vezes pensei em registrar aqui histórias de passarinhos, das flores que plantamos em forma de mandala no jardim, do aniversário do pedro com tema do santos, do livro de contos de animais que pedrito autografou na escola, do pé de ata que floriu com vontade e deu frutos doces, do espetáculo em que clarisse se transformou em navegadora dos sete mares, das comidinhas deliciosas na varanda, dos cafés de fim de tarde, dos encontros, do amor imenso que enche a nossa casa...
... da saudade de celsinho quando passou três meses no recife, da surpresa linda que ele fez vindo no dia dos pais, das surpresas que fizemos para esperá-lo em outubro, da tristeza das eleições em nossa terrinha, dos almoços de família, da incrível comilança nas festas de fim de ano, dos nossos dias bonitos na varanda - sentindo o vento no rosto e na dança das redes...
... dos livros e dos discos que passaram na mão, dos sumiços de adélia e cecília pelo jardim, dos filmes em casa com pipoca e sucos incríveis inventados pela santa ana no liquidificador, da chegada do billy the kid - o mimo da fiat que nos seduziu, do pulo que demos em sampa pra aumentar o estoque de biotônico e abraçar amigos amados...
essas lembranças vão chegando fora de ordem, como um redemunho do guimarães, vento passando ligeiro, pombo correio atrasado, só pra dizer que o ano foi bonito, cheio de histórias que escrevemos na alma e que deixei de registrar aqui, conforme pretendia. um ano também com seu quinhão de dores, testas franzidas, canseira braba de criar e educar duas pessoinhas cheias de opinião enquanto o carteiro só entrega contas, nunca mais cartas ou postais.
e de todas as notícias e histórias nossas, a que mais se impõe como marco de um fim de período/começar de outro é a boa nova da nossa mangueira que, finalmente, feito mulher pudica que finalmente deixa a saia livre para olhos curiosos, agora exibe os primeiros cachos de frutas para que a chuva dê jeito de amadurecer. de dentro da rede debaixo da sombra dela, falei a clarisse que essa árvore será nossa eterna companheira e que um dia, quando eu já for vovó, vou contar aos netos muitas histórias das primeiras mangas e dos sucos, musses e doces que vamos fazer com elas.
agora, enquanto escrevo aqui da varanda, penso comigo que essa mangueira, testemunha fiel de todos os nossos dias, viverá além de nós e alimentará os novos frutos que virão do nosso sangue, assim como foi no princípio e por muitos e muitos anos, amém!
terça-feira, 30 de março de 2010
Clarisse em P&B
Menina, o que tu vês? No claro escuro da câmera, eu sei e percebo teu laço de fita e tuas pequenas flores amarelas que o P&B esconde. Tuas mãos enlaçadas, teu descanso, abandono do pensamento que dança e ninguém nem sabe. Teu cabelo de nuvem, Clarisse menina Maria, tuas sandálias que não vemos aqui, nos teus pés de bailarina desajeitada que ri e inventa um passo qualquer pelo chão. Se ris ou choras, não vejo, mas sei. Olhas o nada e desenhas imaginações com o dedo mínimo solto no ar. O muro verde, o cheiro da vilinha, os ares de pinheiros, tudo banhado de luz num dia de novembro quando-comemoramos-um-ano-em-viva-válvula.
Psiu! Silêncio! Não digam nada! Calem o pensamento. A hora é só de ver Clarisse que disse o que não disse e só de ficar olhando pra ela o mundo fala e a gente cala a alma pra ver a menina na soleira da porta com seu vestido e seu laço de fita. Menina que roda no parado do dia, que gira a saia no quieto da sala, que dança no calado da tarde.
Ah, menina, minha, que o dia é pouco e a tarde é outra no dia de lembrar dos dias de vilas e pinheiros altos a nos ver passar. O meio do caminho entre o terraço e a sala da casinha agora é palco de outras meninas e outros passos e outras manhãs e tardes de festas ou silêncios. Enquanto aqui para sempre estás, nem cresces nem sais do lugar.
És paisagem dos meus olhos, dos olhos de quem olhar.
Ah, Clarisse, que a voz é pouca e o verso é mudo ao te ver parada sentada como quem pede a senha a quem precisar passar. Não que eu não passo, não vou. Não quero senha, bilhete, ingresso. Quero só que o mundo pare, estacione e encaixe as rodas na vaga desta janela onde estou. E daqui de longe, do outro lado do mapa, dá pra sentir o cheiro do teu cabelo que o vento varre espalhando pó de flor na cara de quem vê.
Sem relógio, sem tique-taque, sem passatempo, sem dia-hora-semana-minuto, só essa brisa breve desenhando um jardim imenso pelo mundo, com flores amarelindas em verde campo cada vez que alguém abrir essa janela que é da ilha e é de lugar nenhum.
Chuva nos olhos molha o sol no peito. Os dias são todos teus, menina dos meus olhos. Que a vida seja toda cor como na luz desse instantâneo em P&B.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
nós, os de alma tatuada & um dia qualquer na casa de doc
cb tá indo pra sampa no fim de semana. fica uns sete dias por lá. e eu fico por aqui tocando o barco, mas claro que com uma vontade imensa de ir junto matar tanta saudade da pauliceia. nos últimos dias antes da mudança, pensei muito sobre saudade. e cheguei à conclusão de que depois de sair de casa e adotar uma nova cidade as pessoas têm a alma carimbada com uma tatuagem que laser nenhum consegue apagar. estamos, portanto, condenados a sentir saudade. é possível perceber um leve pendor do ombro esquerdo das pessoas de alma tatuada...
e ter saudade de são paulo é mais que desejar passear no ibirapuera ou no villa-lobos, abrir o guia da folha e fazer uma agenda de dezenas de programas impossíveis de cumprir - mas que nos fazia tão bem saber que estavam ali, à mão... a fartura de shows, filmes, programinhas infantis, exposições...
é mais do que querer caminhar pela paulista (a pé é melhor do que de carro!), de comprar flores do campo baratinhas e lindas na feira - e, claro!, comer pastel!
é mais do que fechar os olhos e ver a nossa casinha da vila, de bonecas, de amigos e de festa, de aconchego e tantos dias azuis...
agorinha mesmo, após ver umas fotos que estavam guardadas, quase esquecidas, vemos que ter saudade de são paulo é sobretudo querer muito abraçar os amigos amados que ganhamos lá. e que não são poucos. hoje foi o dia de lembrar um deles e também da mágica de sua casa, cheia de cores e de instrumentos musicais, dezenas de pequenas lembranças de lugares e de pessoas, paredes forradas de ícones e o velho marley a nos olhar sob a fumaça... uma casa com cheiro de incenso e uma paz imensa estampada na cara de anjo de Roni, o cachorro que nos olha nos olhos e fala à alma...
vendo as fotos lembramos de um dia qualquer na casa de doc, o nosso querido otávio, em que ele fez fotos de família, nós 4 no sofá fazendo poses pra sua câmera. lembro que foi um dia qualquer de janeiro de 2009 em que provavelmente passamos - antes ou depois - na doceria brigadeiro, um sobrado cheio de delícias ali quase ao lado da casa dele.
e este foi só um dos tantos 'um dia qualquer na cada de otávio'. vivemos juntos muitos outros, em cafés da manhã de sábado no jardim, sessões de reggaes e outros sons que só ele tem, manhãs de trabalho regadas a chá, celebrações, ensaios e encontros de quinta... e é isso que nos dá saudade agora.
é isso aí, doc,
fá lemos...
abrax,
senhor cumpadi,
dona cumadi
e seus pequeninos
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
A bandida, o príncipe e a bailarina
O carnaval já vai longe, mas não podemos deixar de registrar o primeiro encontro de pedro & clarisse com a bandida. para quem não é iniciado no assunto, a bandida é uma bandinha de carnaval que nasceu na contramão das folias fabricadas. Com seus metais e uma galera pequena indo atrás das marchinhas pelo centro da cidade, começou a ser a musa do carnaval de rua há uns 10 anos.
O caso é que neste ano da graça de 2010 a bandida saiu do centro e foi tocar em outra freguesia. partiu para a avenida litorânea, na praia de são marcos, templo do carnaval oficial com seus axés e trios. a velha guarda não ficou lá muito atraída pelo novo endereço e foi atrás de outros carnavais.
E então os velhos bandidos maestros da banda atenderam aos apelos dos paralelepípedos e fizeram um revival dos bons tempos da bandida na fonte do ribeirão. da concentração diante das carrancas da fonte, a banda seguiu até o laborarte, centro de arte onde todo ano é realizado o tradicional carnaval de segunda.
Nem é preciso dizer que a bailarina e o príncipe árabe adoraram o carnaval de rua da cidade. mas eu digo. e mostro!
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
história de passarinho
dia desses aninha descobriu um ninho de rolinha no telhado do quintal. mais que isso, descobriu que havia lá dentro um filhote, para quem a mamãe rolinha dispensava os maiores cuidados.
mas qual não foi a surpresa de aninha ao ver, na lavanderia, o filhotinho caminhando meio torto (terá caído do ninho o anjo cinzento e tão frágil?). logo sua mamãe veio tomar conta da cria. ana tratou de espalhar pelo chão flocos de milho para alimentar o pequenino passarinho. o banquete também serviu à mamãe, que o visitou várias vezes durante aquele dia. ao lado da máquina de lavar, os dois se reconheciam e trocavam carinhos. e nós, cúmplices da história que eles contavam, cuidávamos de não fazer barulho e andar a passos lentos, sem nos aproximarmos muito, para não desfazer a cena.
a certa hora da tarde, ana se impacientou com a aflição que julgou viver o pequeno pássaro e o pegou nas mãos, com todo o cuidado, para levá-lo a um galho seguro do pé de ata, logo ali perto. sua ideia era dar ao filhote a chance de aprender a voar em um ambiente mais próximo de sua natureza. no meio do caminho, mamãe rolinha a surpreendeu. e como toda mãe, defendeu sua cria tentanto atacar ana. ora, o que essa "gigante" quer com meu filhote? ana entendeu de imediato a angústia da mãe - que de pássaro virou ali mesmo uma pequena onça - e delicadamente colocou o passarinho ao pé da árvore.
ficaram ali um bom tempo, tempo suficiente para que nós nos esquecêssemos deles. até que hoje, meio da manhã, enquanto ana levava pedro para o banho no chuveiro de fora da casa, a história se fez diante de nossos olhos. e só vimos porque de alguma maneira os olhos de ana viram e registraram o exato momento em que nosso bichinho ensaiou seu primeiro voo. numa fração de segundos ela nos avisou e também pude ver o pequeno trajeto entre o pé de ata e o telhado onde foi feito o ninho. cerca de 5 metros debaixo do azul de um dia azul da ilha. impossível registrar em máquina a beleza da performance, entre desajeitada e perfeita. como os primeiros passos que pedro e clarisse ensaiaram um dia pela casa, pernas tortas e uma fralda fofa para amortecer os tombos.
um voo rápido e ao mesmo tempo lento. lindo rastro de luz silencioso. beleza de presente para um dia inteiro, uma vida toda para lembrar daquela manhã qualquer num dia de fevereiro em que o nosso passarinho criou asas.
cansado, ficou ali no telhado, como quem experimenta a primeira paisagem de sua vida de pássaro. mamãe ao lado, entre vigilante e orgulhosa. e eu corri para pegar a câmera e registrar, cerimoniosamente, respeitosamente, sem querer perturbar a ternura de pássaro que tinha diante dos olhos.
a cena do voo registrei para sempre no filme da retina. o que tenho para mostrar aqui é o momento de descanso após um grande, talvez o maior esforço deste pequeno pássaro que, acredito, vá fazer morada entre o nosso telhado e o pé de ata. ele e sua mãe juntos, observando o mundo. ele, pequenino com seu bico longo que exibe como uma espada de aço luminoso contra o sol. ela, toda mãe em seu corpo macio que se oferece para o carinho e o aconchego.
nem sei se poderei reconhecê-lo daqui a pouco, quando não for mais tão pequenino. o que não será problema. assim, sempre que olharmos uma rolinha entre nós pensaremos que aquela é o nosso pequeno pássaro cinza que nesta manhã fez um voo azul e traçou uma linha meio torta e bamba, uma linha amarelo ouro fazendo contraste com o verde da hera que pinta o muro do nosso quintal.
agora o dia segue e nosso passarinho talvez voe por aí enquanto conto sua história. e penso agora que, embora eu o tenha preso nas imagens que roubei ali no telhado, ele voa além de mim e de nós e, livre, desenha outras linhas pelo céu, fazendo arco-íris de cores que minha máquinha jamais poderá captar.
agora só me resta uma palavra para encerrar esta história da rolinha que nasceu entre nós:
obrigada!
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Belle Epoque - Celso Borges e os Restos Inúteis
Celso lançou o livro novo no dia 4, uma quinta-feira, no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho. A foto é do show, depois da sessão de autógrafos, dentro do Cine Praia Grande. Com ele e Reuben (guitarra), Bruno (baixo), Lucap (violão e efeitos sonoros, além do vídeo na tela grande) e Grolli (bateria).
Hall do Odylo lotado. Cinema idem. Teve gente que nem conseguiu entrar. Calor imenso. Mas quem ficou, mesmo suado, saiu de alma lavada. As palavras foram ditas. A música aconteceu. Edição única. O guitarrista já voltou pra Sampa. Há fotos, imagens, registros sonoros. Mas nada é maior do que ter visto ali. E eu vi. Eu e mais uns cem. E só.
Todo e qualquer falar é pouco. Dizer nem vale. Só quem viu, sabe. Só quem tava lá provou Belle Epoque no banquete de Celso e os restos inúteis. O que precisa ter utilidade é garfo, faca, colher... Poesia, música, cinema são coisas inúteis. Inutilidades de outra real grandeza. De outra real necessidade.
O livro tá na rua. No Poeme-se (Praia Grande), na Vozes e na Athenas.
Também pelo email cbpoema@uol.com.br
Poemas de Celso Borges e projeto gráfico de Andréa Pedro.
Uma palhinha:
VEXAME
A luz ilumina o mágico no centro do palco
O público atento espera a surpresa de sempre
E prepara o aplauso
O tempo passa e o mágico sua sob o susto do inesperado
O silêncio quase eterno denuncia o constrangimento
O coelho não sai da cartola
domingo, 3 de janeiro de 2010
feliz ano novo!!!
nossa, o ano já virou! estamos em 2010. foi rápido, né? sei, sabemos todos, é sempre assim, parece que foi ontem, e quando vamos ver, já se foram os brindes de champanhe, os abraços, as ondas, a grande ceia e todos os rituais e simpatias. este ano experimentamos o da romã. separar seis sementes e delas guardar três, depois de sugarmos o gosto da fruta e atirarmos para longe as outras três que, reza a lenda, seriam as coisas ruins do ano que findou. as minhas três vou guardar na carteira, pra dar sorte, fartura e trazer mais dinheiro. vai que dá certo, né?
pensei, antes de o ano virar, de resumir as notícias desse nosso primeiro semestre da volta à ilha em um post retrospectiva, um painel de fotos-legenda com os principais fatos desse período. cheguei a listá-los na cabeça. a casa tomada (o dia da mudança em sampa), a casa tomada 2 (a arrumação da casa aqui na ilha), a festinha de casa nova, o aniversário do pedrinho no sítio do pipacau amarelo da vovó geninha... e por aí vai.
tô com a mesa posta pro café da tarde e já é noite enquanto escrevo aqui. hoje foi dia de caranguejada e depois do banquete, o tempo nublado, dormimos todo o resto de tarde. portanto acho que hoje vou só anunciar a retrospectiva, pois acho que não dará tempo de fazer o post planejado. mas o farei, isso prometo. não sei exatamente quando.
não, não sou blogueira profissional. não somos. pelo visto, talvez o pedro, que começa a se afinar com jogos nos computadores, venha a ser um veloz usuário das tecnologias. enquanto isso eu e o poeta vamos no pacote básico, só para suprir as necessidades mais urgentes. esta janela da ilha está na categoria dos luxos aos quais nos permitimos em 2009.
ano de mudança. nossa grande aventura de voltar pra casa. nem tão grande assim, pois que a cada dia vemos tudo com uma calma que nem imaginávamos. tudo simples. as coisas ficando em seus lugares. a alma em paz. nós juntos e a alegria espalhada pela casa, como era lá. da casinha de bonecas para a casa da lagoa...
clarisse ficou pra dormir na casa da vó e da dinda. pedro e cb arriscam uma partida de senha, jogo de tabuleiro. há música rolando. há sempre uma trilha por aqui, para que os movimentos mais simples e rotineiros sejam como rituais. e funciona. sempre lembro dos beatles em manhãs de sábado, na hora do café da manhã. ou de uns rocks pesados à hora do almoço da semana, para meu desespero... minha avaliação é que o tipo de som deixa as crianças muito agitadas, o que complica o andamento do dia. muitas vezes é rabugice minha.
pra este ano que começa, deixo aqui nossos votos de felicidade e fé na vida - que é boa que dói! e peço emprestada, ainda uma vez, a canção do kleber albuquerque, isopor, que eu adoro, e que diz coisas de se dizer no aniversário e também nos primeiros dias de um ano. porque fala em desejos que temos para as pessoas que amamos e porque acreditamos que ela seja como uma senha, um passaporte, um bônus de alegria para cada dia deste ano que começa. um presente que não envelhece nunca:
'Que a luz da lua escorra
Pela pele, pelos pelos
E que raios de sol embaracem seus cabelos
Que a vida lhe dê muita saliva
Pra lamber sonho em carne viva
Que seu riso não tenha o mínimo pudor
Que os ventos soprem sempre a seu favor
Que você encontra a cama feita, a mesa farta
A casa em festa
Que a boa estrela grude no meio de sua testa
E que o mal tenha paredes de isopor
Tudo de bom'
* junto com a canção vai o nosso abraço e o nosso carinho.
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
primeiras notícias
há tempos queríamos dar notícias, mostrar a casa, a varanda, o jardim... fizemos muitas fotos, selecionamos algumas numa pasta pra enviar. tentamos um email conjunto, mas ficou pesado e voltou.
manda-se hoje, manda-se amanhã... e o tempo foi passando...
depois veio a ideia de fazer um blog e registrar a casa e a vida na ilha, em prosa e imagens. mas quem disse que sabíamos como fazer um? a nathalia me deu as dicas e cá estou tentando iniciar esta janela da ilha.
a ideia é postar as primeiras fotos que separamos e a partir delas ir contando as histórias, que já são muitas: o tempo voou e são quase seis meses na ilha!
vivemos dias de sol tórrido, veio a chuva (pequena e brevíssima) do caju - aquela que anuncia a safra da fruta, mais sóis e dias azuis, uns nublados poucos e o calor de sempre e todo dia. com ele veio a sede imensa de beber um rio inteiro. e na mesa caranguejos, peixes pedra e camarões, o café da tarde depois da feirinha da sexta-feira, os hábitos antigos, os novos varrendo poeiras velhas e o vento da ilha em nossa alma cheia de garoa.
é isso. voltamos pra ilha. e é daqui que falamos agora.
este espaço é pra vocês, amigos de longe e de perto,
uma ponte, um desilhar.
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
primeiras imagens
agora as fotos prometidas. essas são de julho, logo depois da mudança:
cb & pedrito na academia de ginástica
o escritório do poeta
passarinhos nos visitam: chegaram assim, em bando, e se abancaram no fio da telefônica. sorte ter pego a câmera a tempo de registrar. não voltaram, mas ficaram aqui para sempre
pedro & clarisse curtindo a casa nova
pedro & clarisse in concert: aqui eles criaram a banda 'haja saco',
com figurino feito de sacos de supermercado
dea & cb nos lençóis, num domingo de agosto
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